A recuperação do paladar e olfato após COVID-19 varia muito entre pessoas; entender etapas, sinais de alerta e opções de acompanhamento, incluindo a possibilidade de laserterapia, ajuda a decidir quando procurar avaliação profissional.
Como costuma ser a recuperação do paladar e olfato após COVID-19
A perda ou alteração do olfato e do paladar é um sintoma comum da infecção por SARS-CoV-2. Na maioria dos casos há recuperação parcial ou total de forma espontânea ao longo do tempo, mas o trajeto pode incluir fases diferentes: perda inicial, retorno gradual com percepções distorcidas (parosmia ou fantosmia) e melhora progressiva da intensidade e discriminação dos cheiros e sabores.
Fatores que influenciam a recuperação
Entre os elementos que afetam o tempo e a qualidade da recuperação estão: idade, gravidade da perda inicial, presença de comorbidades, qualidade da higiene nasal e bucal, efeitos residuais de internação ou uso de medicação, e condições associadas como xerostomia. Avaliação interdisciplinar costuma ser necessária em casos persistentes.
Quando procurar ajuda: sinais de alerta
É importante observar sinais que indicam necessidade de avaliação profissional. Procure orientação quando houver:
- perda completa ou parcial que persiste sem melhora nas primeiras semanas;
- alterações intensas que prejudicam alimentação, higiene ou segurança, como não detectar alimentos estragados ou vazamentos de gás;
- surto de parosmia muito incômoda, com odores desagradáveis constantes;
- associação com dor persistente, sangramentos, feridas na mucosa bucal ou alterações neurológicas;
- sintomas que afetam peso, hidratação ou qualidade de vida.
Quando a perda ou alteração do paladar e olfato persiste, a avaliação especializada permite identificar causas tratáveis e indicar protocolos de reabilitação individualizados.
Avaliação e opções de tratamento, incluindo laserterapia
A avaliação inicial envolve história clínica completa, exame bucal e nasal, revisão de medicamentos e, quando indicado, encaminhamento a otorrinolaringologia ou neurologia. Testes de olfato e paladar podem ser utilizados para documentar a perda e acompanhar a resposta ao tratamento.
Medidas e terapias com respaldo clínico
Entre as abordagens que podem ser consideradas estão:
- Treinamento olfativo: prática dirigida de exposição a odores específicos de forma regular;
- controle de fatores locais, como higiene nasal, tratamento de rinossinusite ou higiene bucal adequada;
- manejo da xerostomia para melhorar a percepção gustativa;
- avaliação medicamentosa e correção de déficits nutricionais quando presentes;
- laserterapia como parte de protocolos clínicos específicos, especialmente em casos persistentes ou quando há alterações mucosas associadas.
A laserterapia odontológica pode ser indicada em protocolos multimodais para estimular a recuperação sensorial e tratar alterações da mucosa oral que contribuem para alterações gustativas. Essa indicação depende de avaliação individual e do tempo de evolução. A Dra. Claudia R. Fussi Campos coordenou protocolo de recuperação do paladar e olfato pós-COVID na Faculdade São Leopoldo Mandic, contribuindo para protocolos clínicos que integram treinamento olfativo, cuidados locais e terapias adjuvantes.
Cuidados práticos em casa para favorecer a recuperação
Algumas medidas simples podem ajudar enquanto se busca avaliação profissional:
- praticar treinamento olfativo diário com cheiros familiares e variados, em séries orientadas;
- manter hidratação adequada e cuidar da lubrificação bucal, estimulando saliva com mastigação de alimentos fibrosos quando possível;
- evitar fumo e exposição a irritantes que prejudiquem a mucosa nasal e bucal;
- manter boa higiene oral e tratar lesões ou higiene inadequada que possam alterar o sabor;
- registrar mudanças e gatilhos, anotando quando o paladar ou olfato melhora ou piora, para informar o profissional.
O que esperar ao procurar atendimento especializado
A avaliação proporcionará um plano individualizado que pode incluir orientações simples, encaminhamentos, exames complementares e, quando indicado, terapias adjuvantes como laserterapia em protocolos clínicos. O acompanhamento permite monitorar a evolução e ajustar intervenções sem prometer resultados fixos, sempre respeitando o tempo de recuperação de cada pessoa.
Se você está com perda ou alteração do paladar e olfato após COVID-19 e isso afeta sua alimentação ou qualidade de vida, agende uma avaliação para receber orientação personalizada e saber se medidas como treinamento olfativo ou laserterapia são apropriadas no seu caso.